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e em madrugadas frias, dessas em que você sai na varanda, acende um  cigarro, fica olhando o céu com todas aquelas estrelas lindas, e fica ouvindo o cri-cri dos grilos e todos aqueles bichos que fazem barulhos em madrugadas como essas, depois de passar um dia inteiro sozinha, mas sozinha mesmo, como naqueles dias em que você acorda já na metade, depois de ter dormido até quase o meio da tarde, então você acorda sozinha e continua sozinha, nem sequer sai do quarto ou sequer olha o celular, você escolhe estar sozinha e fica feliz, por ao menos uma vez na vida, ninguém lembrar que você existe, ou ao menos, não pra te procurar, talvez até lembrem de você, talvez até pensem em você, mas não se manifestam, e mesmo assim, você fica feliz, fica feliz por não se importar com as horas que se arrastam, não se importar com o frio e o vazio que só você sente, você sequer pensa em qualquer coisa, só fica ali, parada, quietinha consigo mesma, talvez até aja como todo mundo, pensa em todos, mas não vai atrás de ninguém, você não quer ir atrás de ninguém, como havia dito, quer ficar só, apenas isso, sem pensar, sem agir, só fica só, quieta, liga a TV, nada que se preze passando e mesmo assim não a desliga,pega um livro, tenta ler, mas aquelas letrinhas pequenas parecem não fazer sentido algum, não porque elas sejam sem sentido, é apenas você que não consegue raciocinar nessas horas, então você fecha o livro e vai até a varanda fumar, acende o seu cigarro favorito, traga, se sente aliviada, é como se a fumassa que saísse de você desenhasse letras na sua frente, alone, você ri, ri de si mesma, balança a cabeça, que madrugada fria, apesar de tudo ser tão quente, continua pensando, seus pensamentos são incontrolados, estão com você todo o tempo, por mais que não os queiram, eles se manifestam; você lembra daqueles banhos de chuva que se tomava com tanto prazer quando era criança, ou até mesmo como aquele de antes ontem, aquelas banhos de chuva que você não se importa com o resfriado que pode vir, você ri, abre a boca, aproveita aquela água caindo do céu torrencialmente sobre seu corpo, seu rosto, molhando seu cabelo, lavando sua alma, e você dança e pula, e ri, você sempre ri, ri de tudo, mas também sempre chora, chora de alegria, de tristeza, de saudade, sempre chora, principalmente de saudade, de quem se foi, de quem ainda está aqui, sempre queremos as coisas mais complicadas da vida, porque são as mais saborosas, mas se souber aproveitar o bom da vida, as coisas simples, também vai encontrar prazer nelas, e muito, como aquela chuva, como aquela madrugada fria, como aquele cigarro, como aquela saudade, como aquele estado alone, como tudo, como cada palavra, palavra dita, palavra ouvida, palavras, são tão intensas, mas tão intensas, que podem desabroxar um sorriso, ou uma lágrima, sorrisos tão intensos quanto raios de sol, ou lágrimas que caem torrencialmente sobre seu rosto como as chuvas, mas as melhores lágrimas são aquelas que parecem com aquelas chuvas sem trovões ou relâmpagos, lágrimas como aquelas daquele dia em que sonhei que falava contigo e te dizia tudo o que sentia, e eu sentia, aliás, eu sinto tanto a sua falta, que chego a ficar com o coração apertadinho, bem miudinho, só de pensar em ti, e me dói tanto essa falta que tu me fazes, tanto tanto, que tem dias que eu chego a chorar de saudades e ao mesmo tempo de alegria só de saber que eu tenho a ti em minha vida, mesmo que com essa situação, mesmo que tenhamos relativamente nos afastado, ou não, meu amor por ti nunca mudou, saudades imensas de você minha eterna, eterna em tudo; em corpo, alma, pensamento, vida, amor, em tudo; foi então que o cigarro chegou ao filtro, voltei pro computador, abri meu velho bloco de notas, escrevi, lembrei de tudo, de todos, pensei em tudo, em todos, então olhei em volta e suspirei, melhor que ousar sonhar é testemunhar os devaneios se tornando fatos palpáveis, e como aquelas lágrimas de alegria que escorriam em meu rosto, embassando toda a minha visão, a tinta preta das letras escorria pela tela, e eu, eu derretia junto com ela;

Ariadne Barbosa;

‘dessa vez, eu fui um pouco mais longe!’ essa é a história de uma tartaruga que botou uma mochila nas costas e resolveu conhecer o mundo.

como podem notar, a mochila era bem maior do que a sua cabeça; dizem alguns, para disfarçar a cabeça-de-mamão-macho, outros, que era uma mochila-barraca, sob a qual se esconderia nos dias chuvosos; outros, que era uma borboleta sem asas, viajando num casulo-trailler, seja lá como for, era uma tartaruga com pressa de viver;

‘pressa de viver?’ - perguntou a lesma que passava por ali, ‘como assim?’
a tartaruga escondeu-se em sua mochila-barraca e não respondeu, ‘mas você vai aonde com uma mochila desse tamanho?’ – insistiu a lesma, ‘para o mar’ - disse a tartaruga; ‘para o mar?!? você está louca?!? lá tem sal! lá tem muito sal!’ – respondeu a lesma.

então, a tartaruga mudou de direção; não porque daquele lado o mar era salgado, mas para terminar o assunto com a lesma, e terminou o assunto; não porque não gostava da lesma, mas porque precisava estar sempre só;
um certo dia, porém, encontrou uma tartaruga chamada Boné;


boné era um cara estranho; ele não se escondeu quando eles se encontraram; e não perguntou aonde ela ia com aquela mochila, ele também tinha uma, mas não parecia ser de viagem; nas primeiras horas, a tartaruga continuou escondida;

mas, como boné não se mexia, ela colocou a cabeça para fora e espiou; nada, boné continuava imóvel, a tartaruga também; afinal, talvez ele fosse o arrancador de cabeçaas de tartarugas, uf.. ela sentiu um calafrio ao se lembrar da vez em que foi pega por ele; embora não tenha morrido, ele arrancou muitos pedaços, depois disso, a tartaruga sempre se escondia quando alguém tentava se aproximar, mas boné não se aproximava e a tartaruga, aos poucos, tentou sair da barraca;

‘ei’ - cutucou. ‘você está bem?’ – boné não respondeu, e também não saiu do lugar;
a tartaruga andou bem devagar ao redor dele, quando tocou a sua mochila, descobriu um pergaminho branco, com uma história que ela jamais pôde esquecer;

era uma história dura, tinha ferro, tinha mancha, tinha perigo, vai ver tinha até arrancadores de cabeça, mas era uma história doce, apesar de tudo; uma história que dizia 100% algodão, 100% algodão… 100% algodão… a tartaruga ficou repetindo, com o olhar perdido, que bonito era aquilo;

passaram-se muitas semanas sem que a tartaruga seguisse viagem, todos os dias, ela desenrolava o pergaminho e lia a história de novo, e de novo, e de novo; era como viajar nas grutas mais fundas sem se cansar, trazia alimentos e água para Boné, mas ele não se mexia;


um dia, um vento muito forte lançou boné para longe, e ela, que nunca tinha visto tartaruga alguma voar, pensou que era assim que boné terminava o assunto, e foi embora; no caminho, pensava nele, e se estivesse se debatendo naquela posição? nenhuma tartaruga gostava de ficar olhando para o teto, voltou;

quando chegou perto, descobriu que dentro de boné havia um imenso vazio, um buraco; ‘dói?’ – a tartaruga perguntou; boné não respondeu, também, como poderia? e a tartaruga andava para lá…  e andava para cá…

sem saber o que fazer, e mesmo sem saber se era o correto, resolveu levá-lo junto;

foi quando chegou o arrancador de cabeças em passos ligeiros! a tartaruga tentou correr o mais depressa que pôde, mas o arrancador veio com tudo, olhou daqui, olhou dali, enfiou o boné na própria cabeça e saiu, a tartaruga foi atrás, dizendo:

‘fuja, boné! não deixe que eles te levem! não deixe! fuja, fuja daí!’ mas boné não disse nada, o vazio que tinha por dentro foi todo tomado pela cabeça do arrancador, e a tartaruga andava para lá… e andava para cá… sem saber o que fazer; então, elaborou um plano…

‘ao som de Queens of the Stone Age, Go with the flow’

‘She said “I’ll throw myself away

They’re just photos after all”

I can’t make you hang around

I can’t wash you off my skin

Outside the frame

is what we’re leavin’ out

You won’t remember anyway’


se você olhasse para uma pessoa, visse tudo de bom que ela pode lhe proporcionar e que num futuro você a perderia, mesmo assim você deixaria de conhecê-la por isso? sofrer por antecipação? por coisas que talvez pudessem mudar, coisas que nem tem certeza de que aconteceriam, mesmo assim você iria preferir ir pelo caminho mais fácil? nem sempre o caminho mais fácil é o menos doloroso, a dificuldade torna as coisas mais interessantes, mais saborosas, a dificuldade é o que te torna forte, seguro de si, e as pessoas por vezes abrem mão disso, por medo, geralmente do futuro, ou qualquer outro motivo, ultimamente tenho pensado muito, por muitas vezes, pensamentos antigos, que por doerem demais, eu preferia evitar, mas eles quando vem à tona, é uma porrada só, tão forte que é quase um nocaute, me apaga, me derruba no chão, e quando eu não tenho quase forças pra levantar, aí é que eles sobem em cima de mim e me dominam, ultimamente tenho pensado em dor, em perda, na dor da perda, na perda da dor, na dor por si só, pensei também no amor, na vida, pensei que no fim, uma coisa leva a outra e a outra leva a uma coisa, lembrei também daquela garota, aquela guria arredia, aquela que foi bem esse tipo de pessoa, que eu conheci, vi tudo de bom, no fim perdi, talvez da maneira mais dolorosa, mas que se soubesse de como seria, teria feito exatamente igual, só que aproveitado mais dela, mais de mim, mais dela comigo, teria feito melhor, por mais que eu tenha tentado, aquela guria tão cheia de si, dona da razão, auto-suficiente-sem-precisar-nem- da-natureza, aquela que se achava tão correta, que ela mesma decidiu a hora de partir, de partir da vida, de partir do mundo, de partir de mim, de se deixar partir, de me deixar partida, lembro que fiquei aos pedaços, estraçalhada, esfatiada, esmigalhada; lembro também que tentei me recompor, tentei aos poucos costurar os pedaços que sobraram de mim, agulha velha e linha quase no fim, fui remendando cada pedacinho, aos prantos, com dor, fui remodelando a minha vida sem os pedaços que ela levou de mim, com uns outros que ela deixou dela, lembro que foi tudo uma falta de comunicação, mal entendido, falta de diálogo, falta de amor próprio, falta de confiança em si, falta de tanta coisa, e no fim, vale mesmo a pena? perder é mais que hesitar? pergunto a essa guria que me assombra todos os dias, perder; perder é mais que hesitar? perder a vida, os amigos, os amores, talvez o amor, perder o sol, as estrelas, a lua, as borboletas, passarinhos, beija-flores que também são passarinhos, cogumelos, cactos, tartarugas, perder grama, minhoca, terra, vento, céu, mar, perder, perder é mais que hesitar? eu posso seguir com a correnteza, mas não diga que não importa mais; sabe quando a vida te oferece pessoas, pessoas únicas, maravilhosas, no futuro, tu olha pros lados, pra frente, pra trás, e não sabe em que parte da sua vida elas se perderam? mas também tem aquelas que se vão, mas nunca por inteiro, nunca sei se é pior o impacto do fato, ou o fato de você saber da existência dele antes mesmo de acontecer, queria não te sentir, não assim como te sinto, queria que não me visse, não assim como tu me vê, queria não te ouvir, não dessa maneira que falas, queria não chorar, não mais por sentir tua falta, queria que esse vazio dentro de mim não existisse, não porque ele foi preenchido, até porque vez por outra preenche, mas esvazia novamente, queria que sumisse por não senti-lo de fato; sento, acendo cigarros, apago outros, ou apenas sento e penso em cigarro por não ter um pra acender, penso em você, te ouço, te sinto, te vejo, ou não; talvez. a vida é feita de perdas, muitas das quais não consigo aceitar, não é direito, não é natural, essa coisa que caio fernando fala, que as pessoas se encontram pra se perder, isso é tão dolorido, isso é tão paradoxal, complexo demais, entretando demodê, eu que consigo, das proezas a mais difícil, até que controlar o que sinto, entretanto, não consigo controlar as pessoas que por mim passam, queria que não tivesses partido, queria que não tivesses voado, queria que muitos tivessem passado e ficado, não ficado no passado, tivessem continuado no meu presente, não importa se do meu lado, contanto que comigo, lembrei também de família, família deveria sempre estender-te a mão quando tu cair, e não empurar pra tu rolar e cair mais, família deveria te abraçar e dizer: chora, desabafa; e não te olhar fazendo bico e gritar: para de frescura, engole o choro; foi então que me doeu mais do que nunca, e desisti de lembrar, porque lembranças são só pensamentos que vem remexer com tudo, desestruturar, te quebrar no meio, e eu posso seguir com a correnteza, mas não diga que não importa mais;

Ariadne Barbosa;

na verdade, eu não me arrependi no mesmo instante e no mesmo momento, na verdade, eu me arrependi em momento algum, se soubesse do futuro, teria feito tudo novamente, exatamente do jeito que foi,  eu confesso e admito que foram apenas fatos, entende? talvez não;  a culpa não era de ninguém daquela sala, daquele quarto, daquele apartamento;  foram apenas desculpas, que magoam, eu sei; a dor do amor enlouquece as pessoas e me deixa completamente louca, também; a culpa não era sua, não era de tudo aquilo que eu tivesse dito por impulso; mas eu disse; a culpa é do meu coração partido, da grande agonia que está dentro do meu coração;  eu sabia que estava bem o bastante pra ser verdade e que uma hora, na pior das hipóteses,  por qualquer motivo, eu ia apenas parar o mundo para explodir;
eu sinto muito, pelas palavras, pelo ciúme, pelos acontecimentos, pelas outras pessoas, pelo amor; a dor é única de cada um, e a minha dor é única pra mim e quase infinita; e eu não posso te dar tudo de volta, mas posso estar aqui sempre; ou dentro do seu coração, e quando você precisar, você vai saber onde achar, em qualquer lugar, qualquer hora, em cada estrela, talvez; Algumas vezes o céu fica nublado, mas não para sempre; e outras, ensolarado; desculpa pelo beijo retribuído, e até mesmo o roubado, desculpa por tudo desde o início do início; eu nunca disse que era perfeita, mas eu ainda tento uma hora ser, desse jeito meio errado de ser; na verdade, agora você não pode ir assim, você é eternamente responsável por aquilo que cativas; é justo, talvez; essas palavras não podem desmoronar tudo aquilo que não foi construído; mas podem ficar aqui, durante um bom tempo, para serem lidas e relidas todas as vezes necessárias; eu não sou assim, o amor me fez assim, louca, inconsequente, ardente; o dia que eu disser que pularia de uma ponte, eu pularia, sim; para falar a verdade, talvez; o amor não se destrói, mas se constrói alguns outros por cima e por cima e por cima; amor a vida, as cores, a bebida, aos cigarros, as risadas, aos desenhos animados; e agora, você vai ficar? sim, você vai ter que ficar, para tudo se consertar, e para as risadas voltarem; a afeição, essa também; todos aqueles pedidos de desculpa que disse baixinho, enquanto você estava presa naquela parede chorando nos meus ombros e eu te forçando a me abraçar, foram com tanta e tanta sinceridade, que meu coração se desprendeu do meu corpo; muitas vezes eu ainda vou errar, e espero que todos os especiais pra mim consigam entender, que nem você;

que seja doce, pelo menos um pouco;

e que os dragões consigam voltar para o lugar de onde vieram;

Ariadne Barbosa;

o inferno caiu na terra desde aquele momento, agora ninguém pode fazer mais nada, a situação está na mão de todos ao nosso redor, menos nas nossas, a questão é que não sabemos como lidar com tal situação, mesmo quando cansamos de dizer foda-se para as consequências, é aquela velha história de que toda ação tem uma reação, e também posso contar as vezes que sorri com você durante algumas horas – absolutamente falando sobre o meu presente perfeito -, e quantas vezes me joguei dentro de um vulcão por causa de outras pessoas, o sorriso não queima, há pessoas que fazem por merecer e outras que fazem, fazem, fazem e nunca merecem, por que sempre tentar explicar aquilo que não há explicação? a explicação está dentro de mim, e transformá-la em palavras é fácil demais, elegante é sentir e não contar, deixar-se perceber, entregar o tesouro inteiro de uma vez só faz perder o encanto, tem que me fazer ver que nem todas as pessoas são iguais, que a minha paranóia é válida só algumas vezes e que ser neurótica por natureza, é por natureza e não se muda algo quando se nasce assim, acostume-se comigo, da forma que eu sou hoje, ou da forma que já fui um dia,
não há só peixe nesse mar tão, tão, tão grande, eu sei, e como eu sei; sempre repito estas palavras pra mim, e no fim, acabo entregando o ouro inteiro, faço perder o encanto de cara, quebrando caras, a minha, a dos outros, não há só peixe nesse mar tão, tão, tão grande, eu sei, e como eu sei; existem peixes, dos grandes, pequenos, médios, bonitos, feios, coloridos, sem cor, camuflados, existem também tubarões, baleias, se bem que tubarão também é peixe, whatever, existem polvos, arraias, cavalos marinhos, sempre gostei de cavalos marinhos, tão bonitinhos e saltitantes, tem também águas-viva, sem esquecer dos mexilhões, e muito menos das tartarugas, tartarugas, ahhh, essas sim eu gosto, gosto muito, até porque são bem parecidas comigo, e parecem mesmo, tenho um corpo desengonçado e milimetricamente mal acabado, assim como o casco delas, que mesmo com toda essa deselegância, ainda assim, é bonito, dependendo-dos-olhos-de-quem-vê, tenho percoço curto, membros também curtos e lentos, e se me assusto ou tenho medo, sair correndo? sair correndo que nada, piff, isso é coisa pra quem consegue, pra quem sabe correr, eu? eu me escondo no meu casco, casco esse que é bem diferente do das tartarugas, isso sim temos diferente, o casco, meu casco, meu quarto, minha fortaleza, quente, fétida, porém minha, onde eu posso me esconder do mundo, dos outros, de mim; não há só peixe nesse mar tão, tão, tão grande, eu sei, e como eu sei; e mesmo com tanto peixe, baleia, arraia, tubarão que também é peixe, polvo, mexilhão e tartaruga, eu me sinto uma tartaruga tão sozinha, tentando correr atrás do que nos foge, tentando ficar sem me esconder, tentando me encontrar, tentando ser, ser melhor, ser maior, mais ágil, mais eu, é muita água pra uma pequena tartaruga, é muita água, muito peixe, muitos corais, e eu no meu casco, porque não há só peixe nesse mar tão, tão, tão grande, eu sei, e como eu sei; ainda bem que nesse mar, sempre tem os invasores, aqueles seres não aquáticos, que por vezes nem sabem  nadar, mas se metem mar a dentro só pra me encontrar, me fazer sair do casco, arriscar-me nos perigos do mar, não há só peixe nesse mar tão, tão, tão grande, eu sei, e como eu sei; obrigada por sempre vir me encontrar;

Ariadne Barbosa

- bebi demais – disse a outra;

e tu bebes? - disse ela num tom de espanto- desde quando?

- desde que partiram meu coração pela última vez, acho que umas duas ou  três semanas atrás;

e ela sentia-se tão partida quanto a outra, tão abandonada quanto, então  decidiu levantar, olhar o céu seria uma boa nessas horas, e assim foi,  levantou, foi até a varanda, acendeu um cigarro e olhou o céu, céu este que estava tão chei de estrelas como nunca, quatro e meia da manhã e elas  brilhavam como se a noite acabesse de cair, ela que já não enxergava bem,  que dirá no escuro, deu-se por conta de que uma das estrelas brilhava mais  que qualquer outra, e ela que sempre pensava demais e que sempre era embalada por entre seus pensamentos para outros pensamentos, do tipo, se  começasse a pensar em doce, acabava pensando em libélulas, borboletas ou  qualquer outra coisa que queira chamar, as cores dos doces iam levando-a para as cores das asas e assim por diante, logo ela que tanto gostava de  borboletas, que sempre pensava em libélulas, acabou sendo levada a um  pensamento, um sonho, sonho esse que havia tido a pouco, era um dia comum, um dia desses em que estava escorada na janela de qualer hotel quando uma libélula pousou a poucos centímetros do seu braço, na hora, ela não sabia ao certo se aquilo era uma libélula de fato, ou uma cigarra, ou um-inseto-gigante-qualquer, nunca soube, e os poucos segundos que perdeu tentando classificar o bicho foram suficientes para que ele sumisse, bateu asas e escafedeu-se entre as árvores, ela tem uma ligação especial com libélulas; foi correndo atrás de uma que ela estabacou-se no chão, fraturando uma costela, perfurando o baço e sofrendo uma hemorragia interna que por pouco não a matou, tinha cinco anos e, desde então, convive com uma cicatriz que atravessa o abdome, lado a lado;  tudo o que ela queria era vê-la de perto, justamente para certificar-se se o bicho em questão era cigarra, libélula ou seja-lá-o-que-fosse; se a necessidade de classificar uma libélula a rendeu duas semanas de internação, imagino o que aconteceria se ela ficasse tentando classificar seus sentimentos,  inclusive, a cansava ver por todo lado gente tentando diferenciar um sentimento do outro, se é amor, amizade, namoro, rolo, beijo, ficada, passatempo; não tem a mínima idéia, e nem quer ter! são inúmeras as espécies de relacionamento e a tentativa de classificar a todo minuto algo que, ás vezes, é simplesmente inclassificável
pode resultar em muito mais do que um baço perfurado; daí então, pensou, ás vezes, perdemos a noção de que cada minuto da nossa vida pode ser o derradeiro, de que cada ligação telefônica pode ser a última, bem como aquela pessoa, de quem você ainda não sabe se gosta, pode ser o seu último romance; romance, sempre ouvia falar dele, ou então, aquela velha frase se quer romance, compre um livro; mas ela sabia, ela entendia muito bem sobre romance, mas não desses que tem em livros, desses que sempre terminam com felizes-para-sempre ou com até-que-a-morte-os-separe-ou-nos-separe,  romances sempre terminam, é fato, de fato; mas nem com a morte existe uma separação de fato, você sempre  leva o romance consigo, nem que seja em recordações, lembranças, pensamentos, sim, em todas essas, porque elas tem uma diferença, apesar de serem semelhantes, recordações são quando você vê algo que te lembra aquele momento vivido, com carinho ou sem, como quando você vê uma foto, um bichinho, um livro, uma cor, ou qualquer coisa que te lembre aquilo e você pensa sobre,  lembranças é quando subtamente você pensa naquilo e ri, lembra-se das coisas boas, das ruins também, e mesmo assim ri, ri de si, ri de tudo, de tudo que se viveu, de tudo o que passou, mas ri, já pensamentos, pensamentos acho que já mencionei, pensamentos são aquelas coisas que te fazem ter as lembranças; e de volta a estrela, aquela que brilhava mais que qualquer outra, ela lembrou de um sorriso, sorriso esse que também brilhava/brilha mais que qualquer outro, sorriso esse que despertava o sorriso dela, e ela pegou-se rindo por um tempo, sem saber que logo menos estaria chorando, ela que a pouco  chorava, e tentava tanto evitar isso, ao lembrar daquele sorriso, lembrou-se também daquelas lágrimas, e chorou, chorou por um longo tempo, até quase seu cigarro queimar-lhe os dedos, acendeu outro, e chorou mais, chorou de soluçar, faltar ar, nariz entupir, olhos arderem, incharem, chorou, tossiu, catarrou, pigarreou, respirou, chorou mais, quando sentiu que estava a  ponto de desmaiar, acalmou, cessou, parou, respirou, então percebeu que havia se passado tanto tempo, que o dia começava a amanhecer, lembrou daqueles raios solares e então lembrou daquela elegância ao acordar, e  chorou novamente, mas dessa vez era um choro calmo, onde só as lágrimas rolavam por seu rosto, onde não saía gemido algum, nem de dor ou muito menos de desespero, é que agora ela lembrava de todos os sentimentos que esses pensamentos lhe passavam, e apesar de não entendê-los, e nunca entenderia, agora ela os aceitava, não posso dizer que sem dor, mas aceitava de uma forma melhor, uma forma que não machucasse tanto, era um dor incômoda, mas não mais daquelas que rasgam, só um leve ardidinho como um arranhão, tudo bem que as menores feridas são as que mais incomodam, mas tinha o consolo de saber que são as que saram mais rápido, ou ao menos era assim que queria pensar, jogou o cigarro que já estava no filtro fora, esfregou os olhos para espantar o cansaço, respirou fundo, já não havia mais nariz entupido, já não haviam mais lágrimas, havia apenas objetivos e  decisões; deste dia em diante não queria mais saber de amor, nem dor, só de libélulas;

Ariadne Barbosa

I love the way you love,
But I hate the way
I’m supposed to love you back

“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição.

Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho…o de mais nada fazer” (C.L.)

hoje, florece mais uma primavera para o
mais belo lírio deste jardim,
desejo a ti meu mais doce e precioso lírio,
minha adorada e amável little lilly,
mais do que uma, várias fabulosas primaveras,
desejo-te mais sol em teus dias pra poder
fazer fotossíntese, desejo-te mais beija-flores
para ploriferar o teu néctar, desejote mais
adubo para te fazer crescer forte e saudável,
desejo-te mais flores no teu jardim para
te fazerem compania, entretanto, sortudas
seriam as outras flores por poderem desfrutar
da tua presença e compartilhar do teu jardim,
desejo-te doces lembranças e novas histórias,
desejo-te uma primavera repleta de arco-íris,
pássaros, cores, flores, desejo-te tudo de bom,
tudo o que tens me dado, desejo-te mais que o dobro.
eu te amo e quero te abraçar em muitos e muitos aniversários,
 
feliz primavera \o
 
Why do birds suddenly appear
Everytime you are near?
Just like me, they long to be
Close to you
 
Why do stars fall off from the sky
Everytime you walk by?
Just like me, they long to be,
Close to you
 
On the day that you were born
The angels got together
They decided to create a dream come true
So they sprinkled moondust in your hair
And golden starlight in your eyes of blue
 
That is why all the girls in town
Follow you, all around
Just like me, they long to be
Close to you
 
On the day that you were born
The angels got together
They decided to create a dream come true
So they sprinkled moondust in your hair
Of gold and starlight in your eyes of green
 
That is why all the girls in town
Follow you, all around
Just like me, they long to be
Close to you
Ariadne Barbosa

hoje descobri que um certo beija flor não tem sensor de estacionamento, principalmente quando ele deu de cara contra o vidro da minha janela fechada o/

por vezes sentia como se o mundo tivesse acabado,
até chegava a acreditar que realmente tivesse,
mas quando via aqueles doces-olhos-de-criança
tinha a certeza de que o mundo acabara de começar,
ainda a tinha, era fato, não como queria, mas a tinha,
na verdade, sabia que sempre teve, que sempre teria.

sabia que em qualquer circunstância ela estaria lá,
para apoiá-la, segurá-la, dar-lhe a mão para ajudá-la
a levantar, ela era a sua amiga e isso já lhe fazia ganhar
o mundo, e o mundo era o que ela queria, apenas isso,
o mundo com ela, o mundo era dela e ela era o seu mundo,
[junto com os outros dois que ela citará logo a baixo]
era não, ainda é, agora que tudo está começando, um mundo
onde tinha elas duas; [sem esquecer dos outros dois]
e juntas, independente de como fosse,
ela agradecia todos os dias por tê-la em sua vida, ria
docemente por poder ligar só pra dar um ‘oi’, por atender
o telefone só pra ouvir um ‘como você está’, e isso a enchia
tanto de alegria, que fazia ela sentir-se completa, ela está
plena, tinha dois amigos,[eu disse que eles apareceriam]
não que eles não fossem suficientes,
eram e muito, mas agora ela ganhara mais uma, uma amiga, companheira,
confidente, e todas essas coisas clichês que sempre falam sobre os amigos,
mas ela sabia que como os outros dois, ela era mais do que qualquer palavra
clichê, mais do que qualquer adjetivo que possa ser dado para um amigo de verdade,
mesmo quando eu falo daqueles amigos amigos, tipo amigo-irmão.

coração flagelado? perguntava-se o porquê, já
ela nunca havia usado essas palavras – as pessoas sim,
pessoas sempre tentam interferir na vida alheia
mesmo quando elas não tem proximidade das mesmas -
e ela agora mais do que nunca tinha a certeza de que
seu coração nunca havia estado repleto de coisas,
muito menos de coisas tão boas como agora,
ela só tinha/teria recordações boas de um passado
tão bom quanto o presente que vem sendo construído.

ela estava feliz, ela era feliz, gostava de tudo neles,
até mesmo dos puxões de orelha, das reclamações, das lamentações
das três partes, não respectivamente nessa ordem;
ela tinha tudo o que queria e não sabia que precisava
e ela tinha tudo o que precisava e não sabia que queria,

ela nunca havia feito planos, e nem os faria,
sempre que planeja-se algo, tende a dar tudo ao
contrário, ela gostava de tudo como era, do inesperado,
do mal formulado, do inacabado, dos planos que dão errado,
pois é, até mesmo deles, foi assim que tudo havia começado.

mas será que realmente foi assim? começo? onde exatamente
ele se encaixa nisso tudo?
ela começava a achar que em todos os dias havia um novo começo,
talvez até mesmo um recomeço, como as pessoas estão em constante mudança,
todo dia melhora-se ou piora-se em algo, aprende-se e se esquece de outro algo,

e então de volta a si depois dessa longa viagem
por entre aqueles doces-olhos-de-criança ela sorria,
por mais que a outra não entendesse, ela sabia exatamente
porque ria, era um sorriso doce de alegria, de prazer
por tê-la em sua vida, por ter os três em sua vida,
ao seu lado, e por saber que os três sentiam o mesmo por ela,
era uma mistura de êxtase com prazer, satisfação com gratificação,
e hoje ela só quer dizer aos três amores de sua vida, obrigada,
obrigada por existirem, por existirem nela, dentro dela,
por deixá-la existir neles,dentro deles, obrigada pelo sempre,
obrigada; palavra tão simples que por vezes parece não ser o suficiente,
mas pra ela, pra ela era o bastante e ela entendia isso, sabia exatamente o que era isso.
sentir-se gratificada por ter as melhores, sim e sem exagero, as melhores pessoas
ao seu lado, e o melhor, sem medo.

thank you, just it (L)

Ariadne Barbosa;

como todo dia 09, hoje não poderia ser diferente né? =~~

no mais, ainda vem o personare me dizer tudo que eu já sei (Y)

‘Lua Cheia, Ariadne! Os momentos cheios da Lua tendem a ser fases particularmente instáveis, num sentido emocional. Neste momento em particular, em que ela atua sobre sua Casa 6 astrológica (enquanto que o Sol atua na décima-segunda casa), convém tomar um cuidado especial com doenças. A doença é, muitas vezes, uma mensagem que o inconsciente tenta nos transmitir, portanto convém dar atenção aos sinais que o corpo lhe dá. Não é absolutamente obrigatório que você adoeça, portanto procure descansar, recolher-se, evitar farras e festas. Entre 09/05 (Hoje) e 11/05, você estará vivendo uma fase fisicamente delicada. Repouse!’

Tem coisa mais linda no mundo?

Tem coisa mais linda no mundo?

acho que nem preciso falar mais nada, te amo (L)
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